O cancioneiro de Sebastian Arrurruz

Geoffrey Hill, poeta inglês (1932-2016)

O Indivíduo

Por Geoffrey Hill. Tradução de Pedro Sette Câmara.

Sebastian Arrurruz: 1868-1922

I

Dez anos separados. Que fazer?
Os dias seguem sua marcha, uma rotina
que, clemente, não chega a interessar ninguém.

Como um disciplinado estudioso,
junto os caquinhos, além da conjetura,
perfazendo seqüências de dor pura;

e é justo dar valor à habilidade
fria, assim como às coisas consertadas:
os adeuses que tanto ensaiei e esqueci.

COPLAS

i

?Ninguém perde o que nunca possuiu?.
Que se dane esta pérola sublime.
Eu perco o que eu quiser. Eu quero a ti.

ii

Ah, meu amor, eu te lamentarei
pelo resto da vida em melodias
bastante parecidas, meu amor.

iii

Meio zombando da meia-verdade,
noto “como é fugaz o amor carnal”;.
Até um negócio assim mexe comigo.

iv

É para ele que escrevo, é com ela que falo
em contido silêncio. Será que os tocará
a paixão que jamais lhes foi…

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Leopardi — A Si Mesmo

Do melhor da Poesia Italiana – Giacomo Leopardi!

vicio da poesia

Pelos Cantos de Leopardi (1798-1837) passa uma serena meditação sobre o que na vida nos importa, do nascimento à morte; a palpitação do amor e o fogo extinto; os sinais que da história nos ficam e a atenção ao contemporâneo que foi seu. Tudo numa poesia onde o inefável frequentemente surge transmitindo uma dimensão atemporal ao seu verso.

Estreio esta poesia no blog com o poema A Se Stesso, atípica reflexão juvenil, tinha o poeta 37 anos, sobre a finitude e o sentido da existência, em duas traduções em português: uma por Jorge de Sena, a outra por Albano Martins.

A Si Mesmo

Repousa para sempre,
exausto coração. Morto é o engano extremo
que eu supusera eterno. É morto. E sinto
que em nós de enganos caros
a mais da esp’rança, o desejar é extinto.
Repousa. Já bastante
hás palpitado. Coisa alguma vale
o teu bater, nem de saudade…

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Os escritores e a política

Olavo de Carvalho

Os escritores e a política

”Os escritores são uma terceira força, que se põe entre governo e povo, entre a atividade dos políticos e o silêncio geral da população. Criam os escritores a linguagem que une toda a população. Essa terceira força, entretanto, só é significativa se for independente.

O poder dos escritores está na força de persuasão. Embora sejam frequentemente desconsiderados, em razão de sua impotência, são os escritores que dão vida às formas de representação e aos modos de pensamento. Tudo quanto fazem quiçá não passe de pregação no deserto, mas através dessa atividade se revelará talvez o que põe o mundo em movimento”. (Karl Jaspers)

”Eric Voegelin, que foi um dos maiores cientistas políticos do século XX, dizia que se você quisesse entender os acontecimentos europeus que prepararam a Segunda Guerra Mundial você não deveria ler os historiadores, mas os grandes romancistas de língua alemã como Thomas…

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Poesia

Alguns gostam de poesia
***************Da poetisa polonesa Wislawa Szymborska
(pron.: Vissuáua Chimbórska)

Alguns –
ou seja nem todos.
Nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria.
Sem contar a escola onde é obrigatório
e os próprios poetas
seriam talvez uns dois em mil.

Gostam –
mas também se gosta de canja de galinha,
gosta-se de galanteios e da cor azul,
gosta-se de um xale velho,
gosta-se de fazer o que se tem vontade
gosta-se de afagar um cão.

De poesia –
mas o que é isso, poesia.
Muita resposta vaga
já foi dada a essa pergunta.
Pois eu não sei e não sei e me agarro a isso
como a uma tábua de salvação.

https://betoqueiroz.com/2016/05/20/poesia-me-agarro-a-isso-como-a-uma-tabua-de-salvacao/

MINHA SUBSTANCIOSA PROGRAMAÇÃO EM CURITIBA

Claudio Willer viaja e leva a poesia a Curitiba.

Claudio Willer

Sarau em Curitiba 127366082560_o

Dias 28 e 29, a próxima segunda e terça feira. Participarei de banca de dissertação sobre a poesia de Piva traduzida para o inglês na UFPR (recomendo), sarau / conversa no Bar Ornitorrinco (deve ser um lugar surrealista) à noite e mesa, em ótima companhia, na UFPR, na manhã seguinte.

Dia 28, às 14h — UPFR, Campus Reitoria, Ed. D. Pedro I, sala 1013.

Banca de Mestrado de Francisco Assis de Matteu Monteiro

“Para reparo de vísceras: tradução para inglês do livro Paranoia de Roberto Piva”

Banca: Guilherme Gontijo Flores (orientador), Luci Collin, Claudio Willer, Rodrigo Tadeu Gonçalves (suplente).

Dia 28, às 19h — Bar Ornitorrinco, Rua Benjamin Constant, 400 Centro.
Conversa de Claudio Willer com Marcelo De Angelis, Marcelo Sandmann e Natan Schäfer sobre sua extensa obra, surrealismo e afins.

Ao longo do bate-papo, haverá leitura de poemas e a Contravento Editorial estará vendendo livros dos participantes.

Dia 29…

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Os cem melhores poemas portugueses dos últimos 100 anos | Organização de José Mário Silva

Nem tudo são más notícias.

A segunda edição da antologia de poesia portuguesa que publiquei no final de 2017 já anda por aí. Foi revista de fio a pavio, atentamente, à caça de gralhas e erros de transcrição, além de se terem resolvido problemas gráficos e de paginação. Um trabalho exaustivo para o qual contei com a ajuda inestimável do Luis Queiros, um dos maiores amantes de poesia que conheço. Além de uma notável crítica ao livro, apontando-lhe desde logo alguns dos seus defeitos, o Luís dedicou horas e horas do seu escasso tempo livre a cotejar dezenas de poemas com as edições originais, identificando até os lapsos mais microscópicos (que, em certos casos, terão escapado aos próprios autores). Sem ele, a quem agradeço muitíssimo, fazendo questão de o afirmar publicamente, teria menos certezas ao dizer agora, e para que conste: a versão definitiva da antologia é esta…

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Turris eburnea

Récita de um poema de Afonso Felix de Sousa. O poema falado está no link. Espero que apreciem, leitores queridos.

REVISTA PERSEUS

Adalberto de Queiroz recita o poema “Turris eburnea”, de Afonso Félix de Sousa.

TURRIS EBURNEA

Foram degraus
e degraus
e degraus
e aqui estou
senhora
no alto
da torre

Céu limpo
e eu limpo
do pó das ruas
assim purificado
senhora
aqui eu só espero
que venhas

Enfim sós e longe
de tudo
e embalados em rede
de nuvem
que senhora farra
faremos
senhora

Enfim sós e longe
de tudo
e sentado a uma mesa
de nuvem
com que versos mais belos
senhora
vou falar do mundo
ao mundo

Por que me trazes
senhora
à janela
da torre?
Não vês
que aquele lá embaixo
crucificado
nos cruzamentos
das ruas
sou eu
senhora?
Não vês
como me jogam
as ruas
pra lá e pra cá
e como de mim fazem
gato e sapato
senhora?

Foram degraus
e degraus
e degraus
para chegar ao alto
da torre
e a torre
senhora
não…

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Artesãs de Goyaz

Alcione Guimarães

Conheça a artista plástica e poetisa (sim, não adoto o moderninho poeta! para as escritoras) ALCIONE GUIMARÃES – site oficial.

Poema XX
**********
A equilibrista flutua
em seu cavalo branco,
circo de Seurat.

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Pé e dorso,
um acompanha o outro
num passe de mágica.

Ele corpo
ela alma.
Ele terra
ela ar.

Que se danem
palhaços
engolidores de fogo
domadores de feras
malabaristas
globos da morte.

A mim interessa
somente a magia
dos lenços de organza
leveza dos sonhos
sutileza dos versos.


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E mais.