Goyania, poema épico

MANOEL LOPES DE CARVALHO RAMOS
(1864-1911)

O autor do épico que dá nome à nossa capital, uma das mais belas do centro-oeste do país – Manoel L de Carvalho Ramos não era goiano. Nasceu o autor de “Goyania” em Cachoeira (BA), em 1864. Estudou em colégio interno na Bahia e depois fez direito no Recife, onde graduou-se em 1886.  Em Cachoeira, sua terra natal, advogou e foi professor. Em 1889, foi nomeado juiz municipal de Torres do Rio Bonito (atual Caiapônia).

Em 1891, casou-se e no ano seguinte era nomeado Juiz de Direito em Vila Boa de Goiás (atual cidade de Goiás), cargo em que permaneceu até 1904. Foi articulista em jornais da época e líder intelectual atuante jornais e na magistratura. Faleceu no Rio de Janeiro em 1911, deixando publicados pelo menos sete livros – outros podem ter sido publicados em pequenas tiragens…

EM “A Poesia em Goiás“, Gilberto Mendonça Teles afirma que dos poetas “vindos de outros Estados e aqui residindo, houve também outros nome, um dos quais bastante ilustre, a ponto de dominar a última década literária do século passado [séc. xix]. Referimo-nos a Manuel Lopes de Carvalho Ramos  (1864-1911), natural da Bahia, mas que desde 1888 veio para Goiás…” Teria sido o autor de “Goyania” “o líder intelectual de sua época” – época que ficara “acéfala com a morte de Félix de Bulhões em 1887” – acentua GMT.

O poema épico Goyania, escrito em 1896, tem vinte cantos de oitavas rimas e versa sobre os feitos do bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, sendo hoje considerado patrimônio estadual.

Em nota de rodapé (p.65) do livro “A Poesia em Goiás”, do emérito professor-poeta Gilberto consta que “na pedra fundamental de Goiânia está [enterrado] um exemplar desse poema que, para muitos, era Goyanía“, como oxítona, quando o certo, segundo a grafia original do poeta e o depoimento colhido pelo poeta-pesquisador-antologista com o filho do autor, este o intitulara “Goyania – proparoxitonamente!”

É claro  – diz Gilberto: “que a significação dada ao poema tem sentido amplo, se refere a todo o Estado. O nome da nova capital (Goiânia) não tem, em princípio, nenhuma ligação com o poema a não ser a restrição semântica que lhe deu o professor Alfredo de Faria Castro*” – quando indicou em concurso o nome Goyania (Goiânia, na graphia atual) como o nome da nascente capital. 

(*) A história do nome da cidade – pode ser melhor entendida na matéria do link (a história por Antón Corbacho Quintela e Luciana Andrade Cavalcante de Castro, revista da UFGo). Consta que vem de concurso de um jornal local (O Social) e este foi proposto pelo professor do Colégio Lyceu da cidade de Goiás Alfredo de Faria Castro, usando o pseudônimo inusitado de Caramuru Silva do Brasil e decisão final do interventor Pedro Ludovico – que refugou por motivos óbvios a homenagem (bajuladora, convenhamos) que vencera o concurso – Petrônia (clara alusão ao nome do governador).

Abaixo, deixo o leitor com alguns trechos de Goyania para seu deleite – não sem antes dizer que o autor do épico constitui em nossa terra a maior influência de Gonçalves Dias, Castro Alves e Victor Hugo – como o prova o crítico GMT “cantando, em versos condoreiros, os temas de democracia e liberdade, com imagens e hipérboles condoreiras, mais arrojadas do que as de Félix de Bulhões ...”

Consulte o arquivo de trechos do Canto Primeiro de Goyania, poemo épico de Manoel Lopes de Carvalho Ramos, clicando na figura.

Capa Goyania_PoemaEpico
Fac-símile capa e foto do Autor (Poesia em Goiás, GMT, 1983.

 

 

 

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