Queres ler o quê? (IV)

Da série: “Queres ler o quê?” (IV)

Leveza e Esperança

BALZAC

Se disser sim a Honoré de Balzac, terá o leitor uma miríade de informações a seu dispor – entre romances, originais e em tradução ao português, bem como uma das mais ricas fortunas críticas.balzac_o-lirio

-Ah, mas ninguém lê tanta coisa e  Balzac é muito antigo? contradiz meu interlocutor.

De fato, às vezes quanto mais velho o escritor, melhor, feito alguns vinhos. Há os jovens (chardonnays, p.ex.) que devem ser tomados logo; mas há os vinhos de guarda. Balzac é assim… os que o relemos, sabemos todos, desde o pai da matéria o mais brasileiros dos húngaros – o sr. Paulo Rónai que coordenou a maior coleção de escritos do francês para o nosso idioma. Reler Balzac parece ser ainda melhor…E a quem, francófono, pode lê-lo no idioma criado, duplamente será brindado.

TERMINADA a leitura de “O lírio do campo” (Honoré de Balzac), sinto-me no dever de dizer-lhe…

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Dante Milano Revisitado

DANTE MILANO.

Leveza e Esperança

DANTE MILANO (1889-1991) *

Poeta Dante Milano (Portinari) Dante Milano (1889-1991)

EM “MAR ENXUTO” navega a poesia de Dante Milano, desde que Sérgio Buarque de Holanda saudou a publicação do volume “Poesias” do Milano, lançado pela José Olympio Editora, em 1948, como algo único na paisagem do modernismo brasileiro:

“…provavelmente um dos acontecimentos mais importantes de nossa vida literária nos últimos tempos. Nada, nos seus versos, se assemelha profundamente ao que foi escrito entre nós nestes vinte e trinta anos.”

PARA este leitor, amante da Poesia, o Milano foi como uma “mensagem na garrafa” que navegou nesta “planície devastada, neste mar enxuto“, desde que me chegou às mãos e conquistou-me a imaginação poética na XXIII Feira do Livro de Porto Alegre, em 1977, no verdor dos meus 22 anos…

E tal como no rosto de Eurídice – no poema Elegia de Orfeu,  este leitor:

“Em sua face expande-se o…

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Celebrando 40 Anos da poesia de Nei Duclós – ‘Outubro’ edição especial…

Nei Duclós (1948) – 40 Anos de Poesia. Celebrando “Outubro”!

Leveza e Esperança

NEI DUCLÓS, segundo a Wikipedia– é um jornalista, poeta e escritor brasileiro. Tem 17 livros lançados de cronicas, contos, poesias, romance e ensaios. Além de inúmeros textos publicados na imprensa brasileira, sites e blogs e redes sociais.

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Para nós, seus leitores, Nei é um mago da palavra que nos permite celebrar seus 40 anos de Poesia, da publicação de seu primeiro livro – com poemas escritos entre os seus 20 a 28 anos – com plena vitalidade e uma atividade intensa nas mídias sociais. Seu site, com o sugestivo nome de Consciência.org é pleno de bons textos sobre diversos temas.

São os temas que inspiram e fazem transpirar o poeta, que é também historiador, cronista e crítico de cinema.

Tenho comigo o livro “Outubro” há vários outonos, desde 1977, e com ele mantenho um bom relacionamento como leitor que admira, relendo com entusiasmo a poesia de Nei. À cada véspera…

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Destino palavra – análise crítica (1)

O VIAJANTE ADALBERTO DE QUEIROZ:
“DESTINO PALAVRA”

                                                                                                                   Por Ercília Macedo-Eckel*

Esse menestrel é um “caminhante” atrás do conhecimento, do Verbo, do eixo do universo, como Dante Alighieri (Virgílio e Beatriz), na Divina Comédia, ou como Miguel de Cervantes, na citação de Dom Quixote, em que se misturam o real e o imaginário. Predominantemente, porém, o poeta em Adalberto busca o concreto (material) e o abstrato (espiritual), a verdade. E, algumas vezes, o sonho: nu desde sempre e já no Paraíso – com os olhos da alma nos vemos e, quanto mais nus, mais nós mesmos  (p.24). “Eis-me aqui” (…) “porque só há eu e tu” (p.28). Segundo C.D.A. essa viagem (da nudez) para dentro de nós mesmos é a mais difícil das viagens.

         Entretanto o poeta quer retornar a si mesmo, quer de volta tudo o que lhe aconteceu de Cádiz à Vila Jaiara, da Vila Jaiara aos caminhos de hoje. E quer para a frente tudo o que ainda lhe poderá acontecer. Seu destino é aceitar a identidade entre o eu e a situação do mundo. Refiro-me ao “amor fati” de Nietzsche – da grandeza do homem de retornar-se a si mesmo. Refiro-me também à repetição do ser-aí que já foi, de Heidegger. E como o poeta faz ou fará isso? Por meio da palavra ( do logos, do Verbo) que é a manifestação da inteligência, da luz ou das trevas do ser. Sem palavra não há conversa, não há texto, nem criação: Fiat lux! 

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Ercília Macedo-Eckel durante o lançamento de Destino Palavra, Ube, 

         A primeira palavra: Passado. “Viajante cá foi feito mago de Oz” (p. 13). “Sou o que vi – / um pobre diabo da Vila Jaiara// Eu sou esse menino no corpo do velho d’agora (…), sonhando palácios da lua, luando neon multicor” (p. 15). Porém o Tejo desse garoto são o ribeirão João Leite e o córrego Botafogo.

         Em sua viagem poética, aqui e ali, há uma “gare” de metapoesia (p. 18, 25, 29-30, 50, 51, 62). É a poesia falando da própria poesia e de seu mister, no qual poeta/escritor e leitor estão em “similar mistério”: “O que lê pode ser da escrita/ a parteira consciência (p. 25). Vez ou outra a poesia faz as malas e foge, que nem “Albertina a fugitiva”, e diz: Fui! E “o mundo fica mais vazio” (p. 18-9). Então o poeta viajante tem sede da água limpa (p. 32); aquela que vivifica, purifica, regenera e restabelece um novo estado e a (re)criação desse bardo que mais adiante se deita com a água para epifania e  ressurreição (p. 60-1).

         A Parte II do opúsculo “Destino Palavra” começa com a Anti-lira dos Cinquent’anos. Uma lira também “sem cordas”, como declara Álvares de Azevedo no prefácio da 1ª edição de sua Lira dos Vinte Anos (1853, postumamente). Nessa Anti-lira impera o grisalho, entre o Bem e o Mal, “o mundo insano” na memória da avó de “noventa e tantos…” (p.37). Azevedo herdara, fundamentado em uma imensidão de leituras (como o poeta Adalberto), o byronismo do poeta britânico, Lord Byron, e o baudelaireanismo do poeta e teórico da arte francesa, Charles Baudelaire. Ambos presentes, apropriados ou intertextualizados, em vários versos de “Destino Palavra”. Entre outras características desses poetas, temos: pessimismo, desilusão e temas sobre morte, ou afastamento da realidade, por intermédio do sonho e da fantasia, além da exposição do conflito poético-existencial.

         Assim, ao final da Anti-lira dos Cinquent’anos, o poeta Adalberto recomenda: “portanto, d’antes que a morte/ mostre as garras: escreva versos” (p. 38). Antes que seja tarde!

         Depois, na janela do navio, esse poeta viajante descansa suas penas, qual “pássaro alado”, entoando seu triste canto, “o corrosivo da memória”, desejoso de singrar o jade imenso dos imortais. Daquela janela, da única paisagem ambicionada, vêm a luz e o sol que ajudam o poeta a vencer as forças sinistras, capazes de fundear-lhe a alma (p. 34-40).

         Dessa forma, nós, bardo e leitores, buscamos a salvação, o domínio das trevas, das águas e do espaço cuja paisagem se dilata em vários sentidos nas páginas seguintes. Destino? Palavra. Emoção de escrever difícil ou claramente uma página repleta de luz, a sede da ausência saciada pela presença do Outro. Ainda que seja o verso alheio (p.49), ressoando em coro, voando pelo espaço do Senhor (p.50), até chegar às perguntas poetadas por Jorge de Lima: _Queres ler o quê? _Entendes tu o que lês? (p. 51-2)

         Então vem a dor do entendimento e da consciência, dor indescritível, “na solidão do ausente”, no fingimento do que não ama, do que não sente, à moda de Camões (p.52 e 57). Ou de Baudelaire: …”dor que sendo alheia/ é também minha e sua, hipócrita leitor, pois tudo não/ passa, meu irmão, meu semelhante/ ‘Débâcle’ de poesia” (p. 58).

         Mas também, como em toda viagem, sói acontecer surpresa. Então a palavra do poeta teve como destino um anti-soneto, melhor dizendo, um metassoneto, com as narinas acima da “massa ignara”, em bem “Traduzir-se” uma parte do poeta daquela outra parte (que) se sabe de repente, gullarmente, “em quatorze versos” (p.62). E, adiante (p. 64-5),  o bardo ora em busca da alma, à caça de tesouros indecifráveis, como quem cata feijão, cabralmente, no garimpo de versos que valem a pena, ou como um cavaleiro, representante restaurativo da poesia do Graal, inspirada na busca moderna do eu. Considere-se, ainda, a decifração entre o bem e o mal, desde o Paraíso, lá no início, até o ingresso nos mistérios da alma de cada filósofo, até os dias de hoje.

         Durante a leitura de Destino Palavra, percebe-se que aquele que fala nos poemas constrói um mosaico de falas poéticas, ao apropriar-se dos versos dos grandes poetas do mundo, bem como dos nacionais e goianos. E, dessa forma, consegue expandir seu mapa de viajante, sua geografia literária para além do cerrado e  savana locais. Pois Adalberto-poeta sabe tudo de viajante, de “caminhante”.  Na Parte I (p. 24, Nu) e na Parte II (p. 75, A Última Palavra), cita Georges Bernanos, escritor e jornalista francês, que se mudou trinta e duas vezes durante a vida e que chegou a se exilar no Brasil.

         Finalmente, percebe-se que o sagrado vence o profano, em vários poemas e na “Última Palavra”, na “gare”, no último ponto da estação, ante a Morte, a “inesperada das gentes”, de Manuel Bandeira (p. 75).

         Esse sagrado poético (p. 22, 23, 32, 64, 69-71, 75) pode surgir gradualmente, ou inesperadamente do mundo profano (feiticeiro) para o sagrado (santo), na busca de equilíbrio, do limite entre o temor e a sabedoria. Saindo, assim, do profano, da glória efêmera, maculada, impura, baixa, para entrar nas energias puras do sagrado, como fizera Santa Teresa de Ávila (com seus êxtases), cantada nas canções espanholas 1 e 2 (p.66-71).

         Porém, para entrar em contato com o divino, é necessário que o viajante se desfaça das vestes antigas, profanas. Melhor seria se ficasse nu, a fim de avizinhar-se do mundo dos deuses, para além da razão: ” só com a visão do Tudo – Nada” (p.70). E fizesse a pergunta: Qual a última palavra a ser dita, ante a “inesperada das gentes”?
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(*) Ercília Macedo-Eckel é Mestra em Letras e Linguística – Literatura Brasileira pela UFG (1994). Autora, entre outros dos seguintes livros: “Um contista goiano” (1968); “Maíra – reescrita e dessacralização do mito” (2000) e “Quarta Dimensão: o tempo da palavra e outros tempos: poemas” (2005). Patrona e titular da cadeira nº 10 da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás. Website de Ercília Macedo-Eckel

         

          

         

         

Nei Duclós (1)

Este poema é uma amostra do livro “Outubro”, de Nei Duclós.
O livro completa 40 anos com uma edição bem cuidada em que estão os poemas originais, escritos todos entre os 20 e 28 anos do poeta.
Gaúcho, nascido em Uruguaiana em 1948, Nei Duclós tem longa carreira como jornalista. O verbete sobre ele em Wikipedia destaca os 17 livros entre digitais e celulose (livros tradicional), além de diversos artigos.
É também crítico de cinema, tendo composto importantes artigos recentes para o Jornal Opção (Goiânia).

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Nei Duclós, poeta e jornalista, celebra os 40 anos de seu primeiro livro “Outubro”, 2016.

Além de ter seus poemas musicados por Muts Weyrauch e Zé Gomes, Nei Duclós – que é colaborador do Opção, teve carreira jornalística de sucesso e lançou 17 títulos, incluindo o formato digital e tradicional (celulose). É um poeta que vale a pena ser lido, sendo “Outubro” um livro em especial que já mostrou a força de sua permanência entre os amantes da boa poesia feita no Brasil.
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Sobre o Autor
Fonte: site consciencia.org – Nei Duclós e Wikipedia
Depois de Outubro em 1975 pelo IEL/ A Nação, vieram No Meio da Rua, em 1979, pela LP&M Editores (com prefácio de Mario Quintana), em 2001 No Mar, Veremos, pela editora Globo (com prefácio de Mario Chamie) e em 2012 Partimos de Manhã (Iel/Corag), todos de poesia. Em 2004 publicou seu primeiro romance, Universo Baldio, pela W11 Editores. Em 2006 lançou O Refúgio do Príncipe – Histórias Sopradas Pelo Vento, pela Editora Empreendedor, de SC. Em ebooks lançou Arraso, Poemas de Amor, Cálida Palavra, Trovador, Verso Esparso e Pampabismo/Enigminas: Conversos. E também Mágico Deserto – Contos Fora de Forma, e Beijo Entre Nuvens, crônicas. E em 2012 o livro impresso Laguna, Obra e Paisagem, pela Editora Expressão. Em 2014 publicou pela Editora Unisinos o livro Todo Filme é Sobre Cinema, ensaios sobre a Sétima Arte.
Tem 17 livros (entre ebooks e impressos) lançados de cronicas, contos, poesias, romance e ensaios. Além de inúmeros textos publicados na imprensa brasileira, sites e blogs e redes sociais. Citações em vários trabalhos acadêmicos, de graduação, mestrado e doutorado. Poemas e contos traduzidos para o italiano pela revista virtual Sagarana, editada em Lucca, e poemas traduzidos para o inglês para a revista Rattapallax, editada em Nova York.
Títulos em destaque: Outubro (1975); Universo Baldio (2004); No Mar, Veremos (2001); No Meio da Rua (1979). Site oficial de Nei Duclós.

Quero ler… o quê? (III)

Sobre Thomas Wolfe (1) em Leveza & Esperança.

Leveza e Esperança

O gigante Thomas Wolfe.thomas-wolfe_societysite

Literalmente. O homem, sabe-se, tinha quase dois metros de altura. Não pode ser confundido com o jornalista “Tom Wolf”, de grafia similar pois está várias polegadas acima na qualidade do texto e na imaginação criadora que se nos mostra nos livros deixados. Morreu jovem com 38 anos, mas deixou obras importantes, merecendo ser lido por quem ama a prosa de ficção e as boas narrativas curtas (contos).

Wolfe, agora retratado em filme, como nos conta o editor do Jornal Opção Euler Fagundes de França Belém, ele próprio editor e dono de texto digno de ser eternizado em livros – pois bem, como nos conta Euler, o filme “Mestre de gênios” trata da relação de Wolfe com seu editor Max Perkins:

22 Wolfe e Perkins em foto do artigo de Euler De França Belém, Opção, ed.06/11/16

“O “Mestre dos Gê­nios”, de Michael Grandage, é um desses…

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