Poemas de esperança (V)

Poemas contra o século xxi (v).

Leveza e Esperança

V

                       “Toute lune est atroce et tout soleil amer” (Rimbaud)

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Se toda lua é atroz; se todo sol, amargo
o que seria de ti, oh triste caminhante
desse destino com o peso do desencargo
trazido às costas? sulcas o solo e avante

segues com afinco em busca do alvo
um dia após o outro, sem olhar pra trás.
És o que não importa com o Outro; salvo
se este vau alguém te auxilia a cruzares.

Inerte em frente a ti, o obstáculo vil –
o Amor acre, acerbo, solidão marmórea
em tudo desconforme ao teu ardil …
é preciso que sigas – o mundo o exigiu
e tu não queres ser a esposa de Ló.

A massa ignara força-te a ficar irado;
agastado reages e esqueces do que és,
do que foste – não há nenhum barco –
ébrio…

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