A gênese de um livro (IV)

A gênese do livro de poemas, 2017 (IV).

Leveza e Esperança

A taça dourada*

O sol não brota; ele se mostra
com tudo o que a noite esconde.
Sol em minha janela e sua fronde
de pinheirinho molhado; amostra

de desejo e fonte de toda paz;
do que tenho merece graças dar
o que não tenho aragem sagaz
da chuva que cai a nos molhar.

A chuva que caiu ontem à noite
aqui deixou à mostra nosso lar:
se o pesadelo agride feito açoite,
vem a manhã a fronte nos dourar.

Dourado-esmeralda é o seu rosto,
sol, estrela maior, insofismável
do mestre a lembrar bem disposto
que a vida é sempre incontornável.

A taça onde do vinho nos servimos
um dia ao mar o rei de Tule a atira;
bebe-se com ardor por toda a vida,
perdido o amor, no mar ela suspira.

Assim o sol que à janela forte bate
irá se pôr à montanha docemente,
como a vida da…

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Um “serpentário de erros”

Jorge de Lima.

Leveza e Esperança

JORGE DE LIMA em seu testamento poético criou uma longa “biografia épica” e recriou-se como poeta, na pele de um insular da poesia de nosso hemisfério

Canto I, 1
Um barão assinalado
sem brasão, sem gume e fama
cumpre apenas o seu fado:
amar, louvar sua dama,
dia e  noite navegar,
que é de aquém e de além-mar
a ilha que busca e amor que ama.

(…)

Canto I, 15
E em cada passo surge um serpentário de erros
e uma face sutil que de repente estaca
os meninos, os pés, os sonhos e os bezerros.

Canto X, 20
No momento de crer,
criando
contra as forças da morte
a fé.

No momento de prece,
orando
pela fé que perderam
os outros.

No momento de fé
crivado
com umas setas de amor
as mãos
e os pés e o lado esquerdo
Amém.

EXPLICIT.

invencao-de-orfeu_

Há tanto para redescobrir nesta ébria viagem…

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A gênese de um livro (III)

Drafts de poemas, 2017 (III).

Leveza e Esperança

Canções americanas (2)

Ah! azevinheiro em minha janela
mas meu coração não está mais lá;
estreita era a cama – nós dois nela,
mas meu amor está amarrado lá.

Mas meu amor está amarrado lá
onde a grama está sempre verde
o silêncio permite ao nightingale
cantar sem que o deserdem.

Cantar sem que o deserdem
o poeta deseja desde Homero;
sem Calipso o verso tecer-lhe
com saudades partir austero.

Com saudades, partiu austero
sobre o mar do Caribe e além –
só desejava um passarinho
do cerrado que o acordasse
de madrugada
de volta ao domo donde provém.

./.

Plantation, Fl, 15.02. GYN, 23.02.17

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