Ao nosso amor…

Ao nosso amor, poema de Beto Queiroz

Leveza e Esperança

                              Ao nosso amor_Poema Beto.png             à Helenir Queiroz.

Nada importa menos ao nosso amor
que a ingênua rima em flor – rosa nomeada.
Pouco importa, ainda que um soneto –
pouco importa a forma exata, a rima
ao nosso amor pouco importa.

Nada importa, amor, se lhe dou forma
no leito, em lugar e fora de hora
se cedo ou tarde, não importa,
se madrugada clara ou à nona hora.

Nada importa menos ao nosso amor
o tempo que sem cessar conforma
o outro ao desalento, ao desamor –
ao nosso amor pouco importa.

Ao nosso amor nada importa

menos. Pois, sem cessar, ele se conforma
ao leito como o rio ao que a chuva forma.

Ao nosso amor pouco importa o som
dos outros, a balbúrdia, bailado ou alaúde
pois a todos ele…

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Talvez seja este o caso…

Fernando Monteiro_Rascunho Afinal

“Os poetas não precisarão participar dessa rodada de desencanto, pois eles já escrevem para um vazio que não é só o das grandes livrarias grosseiras, com sua girândolas de livros de ocasião com capas brilhantes como catarro em parede. Os poetas, como que abençoados por Deus ou pelo diabo, estão escrevendo para leitores tão escassos (há muitíssimo tempo), que se tornaram monges trapistas da literatura, escrevendo em monastérios transformados nos palácios da mente que os libertam de escrever para quem já não possui o código da Poesia, a tábua de decifração (e salvação) do verso que foi carne, no Princípio etc.
“Enfim, os poetas estão libertados pelo silêncio que os cerca – enquanto aqui se convocam, sim, principalmente os praticantes da ficção, nesta hora “vigésima quinta” por obra e graça, em parte, das editoras voltadas, nos últimos anos, quase exclusivamente para aquilo que passou a se entender como sucessos

(Fernando Monteiro) in Rascunho, maio 2017, p.23.
Literatura Goyaz.png

TAGORE BIRAM (1958-1998)

Do conhecimento de poucos.

Literatura Goyaz

Notícia sobre TAGORE BIRAM.
********Por Salomão Sousa*.

Tagore Biram era pseudônimo de Ubiratan Moreira, [nome escolhido] em homenagem ao poeta indiano Rabindranath Tagore. Ubiratan Moreira (Tagore Biram) nasceu em 6 de janeiro de 1958, em Olho D´Àgua, antigo distrito de Anicuns (Goiás) e hoje município de Americano do Brasil. Sua estréia literária foi em 1981 com o livro Flauta Noturna. Em 1985, publicou Poemas do Amor e da Ausência e viajou para Moscou, como delegado do Festival Mundial da Juventude. Na União Soviética, participou do Encontro Internacional de Jovens Escritores. Fez recitais e falou sobre o Brasil. Teve poemas seus traduzidos para o russo e publicados em Moscou. Em 1986, criou e presidiu o Comitê Pablo Neruda de Solidariedade ao Povo Chileno. Em 1987, conquistou, em Goiânia, o Prêmio Cora Coralina de Poesia, com o livro O Anjo Desafinado, seu divisor de águas poéticas. Na década de 1990, transferiu-se…

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A defesa da fé e o amor: armas de São Bernardo contra as heresias de Abelardo

São Bernardo vs. Pedro Abelardo. Entenda a disputa e como o Santo ganhou a polêmica com as armas da Fé e do amor – que tem sua dose de violência corretiva, quando necessária a defesa do Cristianismo.

Leveza e Esperança

LEIA meu artigo-resenha sobre o livro “As heresias de Bedro Abelardo”, trad. Carlos Nougué e Renato Romano, É Realizações, Col. Medievalia, coord. Sidney Silveira.

Edição do livro do santo católico que viveu no século 12, na Alta Idade Média, representa, mais que uma mera publicação para especialistas e eruditos, um ato pedagógico.

Adalberto de Queiroz
Especial para o Jornal Opção

Em abril, foi lançado o livro “As Heresias de Pedro Abe­lardo” (É Realizações, 120 páginas, tradução de Carlos Nougué e Renato Romano), livro em edição bilíngue latim-português, de alto valor tanto para os fiéis e os estudiosos da obra de São Bernardo de Claraval, bem como para aqueles que mesmo não partilhando da fé católica, prezam a verdade e estão interessados nos pensadores da Idade Média. Depois de publicar Duns Scot, Clemente de Alexandria e Santo Tomás de Aquino, com títulos raros ou disponíveis apenas em edições portuguesas, a editora…

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Bernardo de Claraval, guia da Cristandade (2)

Bernardo de Claraval.

Leveza e Esperança

As lições das cartas de Bernardo, via professor-medievalista Rodrigo Costa.

Bernardo escrevendo
“Eu somente posso aconselhar que você anteponha a amizade a todos os interesses humanos, pois não há nada mais apropriado à natureza nem mais necessário para a vida, tanto nos momentos favoráveis quanto nos adversos. A amizade não é senão uma harmonia entre todas as coisas, tanto divinas como humanas, acompanhada pela benevolência e pela estima; creio verdadeiramente que, excetuando a sabedoria, não há nada melhor das coisas outorgadas pelos deuses imortais ao gênero humano.

“Há gente que antepõe as riquezas; outros, a boa saúde; outros, o poder; outros, as honrarias. Muitos também colocam os prazeres. Esses últimos são como as bestas, enquanto as outras opções são caducas e incertas, e dependem não tanto de nossa eleição como da inconstância da Fortuna.

“Contudo, há aqueles que colocam o bem supremo na virtude – e estes obram verdadeiramente muito bem –…

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Posts curtos

O burrico e eu, com Ursulino Leão e J. M. Jimenez (um poema).

Leveza e Esperança

Da série “Gênese de um livro”
Os Bichos (VII) –

O burrinho

À Ursulino Leão.

Platero e eu*” é história antiga
de quando os animais falavam;
quem ma contou foi Ursulino –
por Leão de sobrenome, mas
d’alma um cordeiro cativo.

No dia de seu octogésimo ano
nós, seus leitores brindados
c’oa história de um burrinho
queimado e malhado na testa;
burrinho de pernas rajadas
e de alma bíblica completa.

O burrinho da crônica além
de clone do jumento do Cristo
milênios antes em Jerusalém –
nos encantava com seu dístico:

Dá-nos u’a “nesga de satisfação
na caligem dos nossos pesares”

Do burro xucro de meus dias
aprendi que escoicear o vento
inseparável companheiro cria
aos pobres, aos fracos intentos

de nossas bocas de infantes
um mundo de hosanas e vivas
Platero e eu; eu e Platero
congresso de vida refazemos

E saio da história do amigo
desejoso…

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A gênese de um livro (V)

Mais um draft dos poemas novos, 2017.

Leveza e Esperança

Poema de hoje, 04 de março de 2017.

Este poema (ainda em rascunho) nasceu da releitura de Daniel, 4, sob a inspiração de Robert Graves. Creio que posso chamá-lo de “meu Nabucodonosor”, mas preferi intitular de “A Queda (I)” – intuindo que outras versões virão e continuações, pois o mito é tremendo.ilustra-nabucodonosor
Clique na figura ao lado para ler o poema.

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A gênese de um livro (IV)

A gênese do livro de poemas, 2017 (IV).

Leveza e Esperança

A taça dourada*

O sol não brota; ele se mostra
com tudo o que a noite esconde.
Sol em minha janela e sua fronde
de pinheirinho molhado; amostra

de desejo e fonte de toda paz;
do que tenho merece graças dar
o que não tenho aragem sagaz
da chuva que cai a nos molhar.

A chuva que caiu ontem à noite
aqui deixou à mostra nosso lar:
se o pesadelo agride feito açoite,
vem a manhã a fronte nos dourar.

Dourado-esmeralda é o seu rosto,
sol, estrela maior, insofismável
do mestre a lembrar bem disposto
que a vida é sempre incontornável.

A taça onde do vinho nos servimos
um dia ao mar o rei de Tule a atira;
bebe-se com ardor por toda a vida,
perdido o amor, no mar ela suspira.

Assim o sol que à janela forte bate
irá se pôr à montanha docemente,
como a vida da…

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Um “serpentário de erros”

Jorge de Lima.

Leveza e Esperança

JORGE DE LIMA em seu testamento poético criou uma longa “biografia épica” e recriou-se como poeta, na pele de um insular da poesia de nosso hemisfério

Canto I, 1
Um barão assinalado
sem brasão, sem gume e fama
cumpre apenas o seu fado:
amar, louvar sua dama,
dia e  noite navegar,
que é de aquém e de além-mar
a ilha que busca e amor que ama.

(…)

Canto I, 15
E em cada passo surge um serpentário de erros
e uma face sutil que de repente estaca
os meninos, os pés, os sonhos e os bezerros.

Canto X, 20
No momento de crer,
criando
contra as forças da morte
a fé.

No momento de prece,
orando
pela fé que perderam
os outros.

No momento de fé
crivado
com umas setas de amor
as mãos
e os pés e o lado esquerdo
Amém.

EXPLICIT.

invencao-de-orfeu_

Há tanto para redescobrir nesta ébria viagem…

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